Monday, October 23, 2006

O elefante tic-tac que eu vi no espelho

Elefante amarelo de estrelas falsas
Alimenta-se dos sonhos outrora concretos
Emanando nostalgia de um ontem imaginário

O relógio quebrado pendurado no banheiro
Reverbera a mesma imagem curva
Iluminado o espelho com as foscas lembranças

A porta entreaberta que delimita os verbos,
translúcida para a lucarna hominídea,
excreta a ilusão de redundância temporal

As batidas surdas da bengala empoeirada
Rompem as brumas tic-tac
Mas, eu só ouço a minha própria voz.

(Diego Matheus)

Sunday, October 08, 2006

Pêsames

Encurralada pelas mãos macias da morte,
Sinto o último suspiro da vida ir ...
Deitada em ilusões
Rachada
Minando desespero
Sinto o cheiro de cravos murchos
Caídos aos meus pés
Olho-me no espelho
Vejo uma mancha borrada
Desespero ...
Desapareço...
Transpareço objetos
Estou morta largada no chão ...
O suspiro ...
O último suspiro se foi ...
Mas ainda estou aqui
Como posso estar aqui se sinto-me morta ?
O último suspiro se foi ...
Não entendo ...
Eu ainda estou aqui !

Bel Guimarães

Espelho

Vejo tudo em grande espelho reluzente
Guiado pelo reflexo
Não penso
Espero !

Vejo tudo em um grande espelho
Com bordas douradas
Olho no ponto fixo
E percebo que não sou nada !

Vejo tudo em um grande espelho
Imagens deformadas
Realidade distorcida
Sou constante
Aceito a vida !

Bel Guimarães


Friday, September 22, 2006

Metalinguagem

Nos mundos sem fundo a areia da ampulheta está sempre na borda, eternizando diferentes pegadas em uma folha amarela de um livro de epitáfios. Em uma biblioteca as incontáveis páginas esperam um novo livro para atualizar a eternidade. Talvez uma dessas páginas seja um ingênuo tabelião que tenta sintetizar os diversos mundos como se houvesse lógica na ordem das estantes.

Diego Matheus

Wednesday, September 13, 2006

Espero

Espero que o reflexo do espelho
e a essência refletida se tornem uno;
Espero que o rosto encontre a lágrima
libertando-me de sentimentos alheios;
Espero que alma abstrata devore o concreto
para assim expandir os sentidos até o infinito;
Espero que os sonhos tornem-se palpáveis,
quero conhecer a alma sem janelas foscas;
Espero que o ser e o existir
dancem freneticamente até gerar o novo;
Espero que a poesia transcenda do papel
inventando a interação das essências.

E assim em esperas intermináveis
Sigo sentado esperando o ônibus
Ônibus fúnebre que um dia me transformará em milagre
Ônibus fúnebre que transformará alma em memória.
E nesse dia serei somente mais uma resposta das minhas próprias perguntas.

Diego Matheus
– Abra os olhos! – disse eu
– Han?
– Abra os olhos! – voltei a dizer
– Mas porque?
– Há a realidade em sua volta. Se liberte da escuridão e se una a nós
– Vocês?
– Exatamente. Salve-se!
– Abrindo os olhos? Seria tão simples assim?
– A dificuldade dos atos não está na atitude mecânica que exprime a ação. Mas, sim, no subjetivo que impede o concreto de tal desejo.
– Porém, a luz pode ser tão ilusória quanto este meu mundo. Vivo ilusão. Mas, esta é a minha escolha. Esta escuridão sou eu em abstrato. Já você, é regido por um destino. Sim, por um destino! O que poderia se encaixar tão perfeitamente no conceito de destino quanto a crença no real? Ora! Se aceitarmos a existência do real então não há interpretações, nem relativismo, nem multiplicidade. Eu lhe digo que existem infinitos mundos, e todos são ilusórios.

Neste momento fechei meus olhos. Cravei a mais externa pele na mais profunda carne; nunca permitirei que novamente seja colonizado por ilusões eloqüentes. Fomos fadados a vivermos em cavernas, e eu prefiro morar sozinho...

Diego Matheus

Monday, September 11, 2006

Olá ........
Meu nome é Bel....
Eu e meu amigo diego criamos este blog para podermos colocar nossas criações ( poesias, poemas, contos, textos, opiniões...)
Eu e Diego vamos nos reversar para criação dos posts então fiquem atentos a assinatura no final para não fazer confusão ...
esperamos que apreciem nosso blog !

Bjz

Bel